Bloco de Esquerda : mobilizar para as eleições, construir a alternativa
A queda do governo da AD levou à dissolução da Assembleia da República e à marcação de eleições a 18 de maio. A crise política é de inteira responsabilidade do Primeiro-Ministro e dos seus negócios privados, cuja legalidade e ética levantam dúvidas, tornando insustentável a sua liderança do
Governo, e do País.
Esta demissão encontrou o Bloco de Esquerda em pleno processo de preparação da sua Convenção, culminando em data imediatamente após a da marcação das eleições, agora antecipadas. Havendo duas moções e várias plataformas locais aceites, bem como numerosos contributos escritos, publicados e em debate para a Convenção, seria sinal de vivência democrática e unidade do partido a consulta das várias sensibilidades para que o órgão competente, a Mesa Nacional, pudesse tomar uma decisão mais informada e que promovesse uma mobilização plena do Bloco. Importaria construir consensos sobre o calendário dos debates e da eleição de delegados, ou seja, os moldes em que tal podia ser feito e a forma de retomar o processo estatutário. Pelo contrário, a decisão de adiamento foi comunicada aos aderentes através de um texto não assinado, em que, em vez de se procurar a unidade, se reproduziam algumas propostas da Moção A e até o seu título.
A Convenção está suspensa e não adiada sine die. É indispensável, para a reconstrução e reunificação do partido, mas também para a capacidade de resposta sustentada democraticamente e em tempo útil aos desafios nacionais e internacionais - como no caso da política europeia - que ela se conclua no intervalo entre as eleições para a Assembleia da República e o início do prazo para a entrega das candidaturas autárquicas.
Neste momento, os aderentes do Bloco de Esquerda aguardam que seja retomado o processo da Convenção e as várias etapas ainda por concretizar. Para nós, Moção S, tal deve acontecer imediatamente após as eleições legislativas nacionais, devendo a Convenção finalizar-se em datas a marcar até finais de junho. Para além de ajustes nas moções e plataformas, que poderão ser realizados ao longo dos debates previstos, este calendário favorece a ampla participação em propostas programáticas para os mandatos autárquicos, antes do prazo de entrega das listas de candidatos.
O facto de termos iniciado um processo de Convenção, apresentação de moções e início de debates, compromete as duas moções A e S como sujeitos ativos da vida interna e democrática do BE. Haver eleições legislativas antecipadas e ser consensual adiar a Convenção não permite à direção do BE
omitir a existência de moções em alternativa e de um processo de Convenção a decorrer, embora com novo calendário.
A retoma do processo convencional é compatível com pequenos ajustes temáticos da Moção S relacionados com a nova situação política, que se poderão justificar mas que não obrigam a grandes alterações de conteúdo estratégico.
Na preparação das eleições para deputados na Assembleia da República, e numa viragem de última hora, estão a ser replicadas algumas das táticas de campanha do Die Linke : campanhas porta a porta e nas redes sociais, e a apresentação de militantes históricos como cabeças de lista. Esquece-se o essencial: o Die Linke tinha tido um congresso que procedeu a uma profunda renovação, houve um trabalho importante de unificação do partido e de reforço das estruturas locais, coisa que não tem sido feita no Bloco. Ainda será de lembrar que aquele partido da esquerda alemã centrou a sua campanha num programa claro e de luta de classes com enfoque em questões nacionais e internacionais que afetam a vida das pessoas.
A abordagem adoptada pelo BE poderia ser melhorada com o concurso dos proponentes de moções e plataformas locais à Convenção, bem como dos órgãos locais do partido. Estas estruturas, e todos os aderentes, na sua diversidade, são recursos preciosos que não estão a ser valorizados.
Sem deixar de manifestar a crítica da estratégia escolhida, apelamos, enquanto subscritores da Moção S, à mobilização de cada aderente para todas as lutas e para os combates eleitorais que se avizinham.
Pela Moção S à XIV Convenção do Bloco de Esquerda
19. Março.2025